domingo, 22 de fevereiro de 2009

Galo no Divã: Atlético MG 2 x 0 Rio Branco

"No one leaves 'til the night is done The amplifier starts to hum The carnival has just begun."

E quem disse que a matemática é sempre exata? Há momentos em que -1 = +1. E nesses mesmos momentos, 1 = 2.

Esse anda voando baixo. Foto Superesportes

Juninho: Foi poupado. Não por mim, mas pelo adversário.
Marcos Rocha: O gol na última partida não lhe fez bem. Exagerou e não produziu.
(Samuel): Supriu a falta de proteção que havia no setor. A contusão preocupa... poderia ser úil daqui pra frente.
Marcos: Ainda fora de ritmo, mas jogou com segurança.
Werley: Sem preciosismo, mostrou que lugar de zagueiro é na defesa.
Júnior: Continua com boa postura em campo, mas dá sinais de que faltam pernas...
Renan: Não teve trabalho e por isso não comprometeu.
Márcio Araújo: Quando está 'na sua', se dá bem. Mas errou muitos passes novamente.
Carlos Alberto: Valeu por 3. Por ele, pelo expulso e por mais um em campo. Já estava merecendo um gol.
Carlos Júnior: HORROROSO! O treinador disse tudo: "achou que era várzea". Faltou respeito com os companheiros, querendo fazer tudo sozinho. Então, faltou respeito com o Galo.
Éder Luis: Muito mal no primeiro tempo. Melhorou no segundo. Parece que aos poucos está calibrando a chuteira, mas tá demorando e tá longe ainda.
(Kleber): Teve pouco tempo, mas se portou bem.
Diego Tardelli: Ficou apagado no primeiro tempo. Melhorou no segundo, mas muito afoito para aumentar a artilharia.
(Raphael Aguiar): Se movimenta bem, mas é reincidente nas absurdas perdas de gol.

Leão: Segurou a onda de manter o time no ataque com um a menos (no papel, porque na prática o Carlos Alberto tratou de compensar). Demonstrou sua insatisfação com o erro absurdo do Carlos Júnior, mas também não o queimou de cara, afinal, como comandante, tem que zelar para que os comandados voltem a ser úteis mesmo após atos infantis.

Primeiro tempo desprezivel. A história se repete sintomaticamente. É desgastante ver um time entrar em campo sem saber o que fazer, ter que esperar algo de fora (ou de dentro, como a ruindade do oponente) para perceber que algo precisa ser feito. Time grande em campeonato pequeno tem que entrar pra fazer o seu, com firmeza e determinação. Isto está longe de acontecer, principalmente contra os times pequenos. O mesmo ocorria no brasileirão passado quando comentávamos que contra as marias, Palmeiras e Flamengo, o Galo tinha feito as melhores partidas. Claro, contra time grande não se brinca, contra rivais, menos ainda. Sabendo o que tem que fazer, vão lá e fazem. Por que diabos contra os timecos isso não acontece? Falta de respeito, de profissionalismo, de consciência, do que mais??
Pra completar, o Carlos Júnior achou que era dono do time, da bola, do campo. Tentou inventar o tempo todo e nenhuma das invenções deu certo. Prejudicou o ataque, deixando de servir os companheiros e inventou uma expulsão ridiculamente merecida. O bom é que daí pra frente a postura do time mudou, mas o tempo acabou.

No segundo tempo mantiveram o estado em que haviam saído de campo e, com mais organização e determinação, partiram para cima, como time grande faz. Carlos Alberto, mais uma vez deu sangue e fez parecer que o time não tinha jogador a menos. E pra fazer valer o famoso 'quem planta colhe', a insistência do Éder Luis em se movimentar e agredir na etapa final acabou por lhe coroar com um belo gol.
Depois disso, muitas chances desperdiçadas (o que para minha sorte, me valeu mais 3 pontos no bolão, hahaha), porém sem abalar o esquema e a atitude do time. O que aconteceu no segundo tempo, com a necessidade e obrigação de vencer, associados à determinação de alguns jogadores, faz valer os elogios ao time, por terem alcançado o objetivo e só.

Por outro lado, não posso me furtar a observar que em meu próprio texto, sequer citei o nome do Rio Branco. Claro, ao longo de todo jogo não houve ameaças do time de Andradas (os escanteios e bolas na área já são de praxe e com nossa defesa insegura é sempre um drama). Como dizem por aí, foi jogo de um time só. E repito. O Galo fez só a obrigação.
Não é para parecer um velho rabugento, uma vez que estamos bem melhores que no ano anterior, o fatídico ADC. Mas quem foi que disse que eu quero aquele timeco como parâmetro? Ora, o Galo já foi muito mais que isso, em tempos que nem eu mesmo pude ver. Nunca vou me contentar com um Galo que sofre (sim, o primeiro tempo foi sofrido) para ganhar de um time do interior de minas. Nunca vou me contentar com a torcida sofrendo porque falta algo em campo.

Há algo no sofrimento que é precioso e disto Dostoiévski entendia bem. Mas para onde o sofrimento alvinegro tem nos levado? Se for para sofrer pelo Galo, que seja em momentos memoráveis, como naquela final em que Reinaldo, com uma perna só, por pouco (por muita porrada) não nos deu o bi campeonato. Em momentos como o de hoje, me recuso a sofrer. O que vi em campo ontem ainda me dá indignação...

2 comentários:

Tom disse...

Gus: preciosas considerações finais .
Eu já considero que foi um desempenho "estranho",pré carnavalesco, alguns jogadores não estavam integralmente lá, enquanto outros estavam muito mais que em campo, assim é que um deles saiu mais cedo.
Se o time já merecesse alguma confiança da torcida isto não seria um problema.
Já ví Reinaldo e Cia em tardes de Macunaíma - " ai que preguiça ..." irritarem a torcida, porém tinham credibilidade. Aí que tá....

Anônimo disse...

Não fosse a raiva que algumas atitudes do time nos trás, os jogos serviriam ao menos como sonífero.