quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Da entrevista, da possibilidade e do conceito.

Belo Horizonte (Não esclareceu, muito menos acalmou) - Começo emendando com o post abaixo: na entrevista coletiva, o Alexandre Kalil disse que não via nome para substituir o Vanderlei. "Seus problema acabaram", Kalil! Seja rápido, senão o São Paulo chega na frente!

Bom, voltando à entrevista. Ele, Alexandre, desmentiu o que vinha sendo dito, que  Luxemburgo não sai do Atlético em razão de alta multa recisória. Disse que há multa, sim, e que ela é  proporcionalmente inversa ao tempo de contrato. Segundo ele, isso não seria problema para demitir o comandante.

Antes de mais nada, eu quero lembrar que nunca fui a favor da troca indiscriminada de treinadores. Acho isso uma grande burrice. Debitar os maus resultados somente na conta do 'treineiro' é uma saída dos cartolas para não se responsabilizar com o fracasso. Isto é injusto.
Não é com cara feia que as coisas vão se resolver

(Parênteses: vi na TV ontem que o Marcelo Oliveira alcançou recorde histórico no Paraná Clube: oito(!) meses no comando do time. Isto não acontecia há dez anos. Um olhar rápido sobre o caminho do Paraná nestes últimos anos explica muito.)

Mas, a despeito do "histórico vencedor" do Luxemburgo, as coisas por aqui não têm saído como planejado. Até onde é possível perceber, o presidente fez todos os esforços para dar ao treinador boas condições de trabalho, principalmente com as ferramentas que o treinador pediu. Talvez isso justifique o "temos de esperar uma reação de quem nos meteu nisso".

O problema é que "quem nos meteu nisso" não parece ter condições de reagir com a intensidade necessária para sair do atoleiro. E isto, com exceção do Diego Souza, diz mais sobre o treinador do que sobre os jogadores. (Tá bom, a exceção se estende ao Cáceres, ao Werley e a mais alguns outros)

O Luxemburgo tem demonstrado uma estranha incapacidade de ordenar taticamente este time. Ainda que seja verdade um de seus principais argumentos, de que as frequentes lesões de jogadores atrapalharm o trabalho (e isso é papo pra outra hora), mesmo assim, não se viu o mínimo de ajuste tático neste time.

É esquisito ver um treinador reconhecidamente 'bom de serviço' não conseguir imprimir o mínimo de padrão tático a um time que, individualmente, tem muitos valores. Isto não pode ser culpa do presidente, nem da diretoria executiva, nem dos fisioterapeutas! Isto é responsabilidade do treinador, uai!

O que agrava a situação do Vanderlei Luxemburgo é que, como ele mesmo cansou de dizer, tem toda a infraestrutura necessária para um "projeto campeão", teve, ao que se sabe, todo o material humano que solicitou, assim como teve, também, liberdade para descartar os 'não conformes' (Jonílson, blá blá blá). E os resultados não vêem. 

O Kalil foi enfático em sua entrevista ao dizer que "quanto mais abraçados estiverem os envolvidos, melhor". Talvez seja preciso, Kalil, redefinir "envolvidos".

9 comentários:

Daniel Martins disse...

Pura besteira o que o Santos fez.
Acho que é a hora do Kalil aproveitar. Ele mesmo disse que demitir treinador é fácil, qualquer um faz, e que só isso não é o trabalho que a ele (Kalil) compete.
Só que acho que já passou da hora, e não há fato algum que não possibilite a demissão do Luxa.

Não acho que ele deve ser demitido, mas vejo como uma boa possibilidade.

Estou quase convencido de que cairemos. E vejo o Dorival com grande competência para, mesmo se assumir agora e cair, continuar ano que vem e remontar o Galo. O que não vejo no Luxa.
Talvez se o Dorival estivesse disponível quando nossa desclassificação fosse garantida, seria uma aposta segura. Mas como não são esses os fatos...

Enfim, o projeto do Luxa não deu certo. E não acho que salvará o ano (manter-se na série A não é salvar o ano, somos ou deveríamos ser maiores que isso), acho que é hora de um recomeço forçado.

Gus Martins disse...

- Sobre a multa recisória: que bom que o motivo não é este. Porque estar preso ao treinador e ver o time se afundar por questão de multa seria das maiores canalhices (e amadorismo).

- Sobre demitir ou não: Já disse várias vezes que sou contra a demissão e a culpabilização do técnico. Mas é fato que o Luxa em quase um ano, simplesmente não trabalhou (ao contrário do que diz). De forma que resumo da seguinte maneira: Não sou a favor de demitir, mas se isto ocorrer, não criticarei.

- Isto quer dizer que esotu em cima do muro, posição cômoda para um simples (e emputecido) blogueiro. O Kalil está com um puta problema nas mãos. Manter o Luxa é de uma coerência sensacional com todo o discurso de sua chegada à presidência. É também uma aposta arriscada. Mandar embora seria repetir o que se sempre faz, mas com a desculpa de que fez o que todos querem e se eximir da culpa se ao final der errado do mesmo jeito. Assim, continuo louvando o Kalil por encarar de frente a possibilidade de se dar mal por conta e risco.

- O trabalho, os jogadores, o preparo físico e mais uma vez o treinador. Todos estes estão falhando. Em campo e fora dele. O Luxa nem de longe é aquele espírito de vitorioso. Os jogadores, se abatem por qualquer coisa. Inclusive fisicamente. Será que não é uma resposta do corpo para aquilo que está para além dele?

- Isto aumenta ainda mais a carga nas costas do Presida. Ao meu ver, o Kalil está absolvido pelo que investiu. Tem agora a oportunidade de definir o futuro do clube:
- Mantendo o Luxa - se cair, será execrado pela atitude e deverá assumir sozinho, pois é ele quem manda. Se não cair, deverá ser ovacionado pela coragem e pela coerência.
- Demitindo o Luxa - Se cair, dirão que é porque demorou demais para fazê-lo, mas será aliviado por ter atendido a 'massa' e a imprensa. Se não cair, todo mundo colocará o dedo em sua cara, dizendo "eu não falei que tinha que fazer isto?" e tudo que ele propos como nova mentalidade pro futebol irá por água abaixo mais uma vez...

Jason Urias disse...

Assim como já dissemos aqui que a demissão indiscriminada do técnico não é boa, sua manutenção indiscriminada também não.

É possível permanecer fiel à "nova mentalidade" ainda que o demita, desde que isto não seja somente mais um ato irresponsável.

É como em psicoterapia: o sujeito repete infinitamente sem se dar conta. Quando (e se) 'acorda', o fato de continuar repetindo é questão exclusiva de sua escolha, desta vez, ciente de sua responsabilidade sobre ela. Aí, como dizer que o sujeito foi incoerente?

Aí eu concordo que o Kalil tá com uma bruta duma batata quente na mão, porque a escolha da demissão ou não é dele e, consequentemente, a responsabilidade sobre ela, também.

A meu ver, o que pesa muito contra o Luxemburgo é fato dele não fazer a menor questão de justificar sua inacreditável incompetência técnica no Galo, algo pelo qual nem o mais cético dos atleticanos poderia imaginar. O que transparece para nós que estamos do lado de fora, é que ele não admite que tem trabalhado mal. Se não admite isso, não há pelo que buscar melhorar. Aí, não tem jeito.

Gus Martins disse...

O Luxemburgo 'não me preocupa mais', Jason, porque já não acredito que ele vai fazer algo melhor. E tampouco assumir isto que você está dizendo. O Luxa já se enterrou e está jogando as últimas pás de areia sobre o Galo.

O que me preocupa é com que serenidade o Kalil conseguirá segurar esta batata. (e aliás, serenidade não é o forte dele). Tem um problemão nas mãos e, como no final de 2008 defendíamos que ele é quem poderia nos tirar da ridícula situação do clube, hoje, pra mim, é quem poderá tirar o time. E me preocupa se ele fará isso sem depender ou sem se submeter aos corvos que ficam sobrevoando Lourdes e Vespasiano.

O fexô, dentro ou fora do Galo, já era.

Daniel Martins disse...

Seria irresponsabilidade(e errado) a demissão se não houvesse bons substitutos no mercado. O Dorival está disponível... pode ser difícil a concorrência com o São Paulo, mas sei lá.

Estou, como o Gus, em cima do muro. Porém pensando em pular pro lado da demissão cada vez mais.

elianA disse...

Como no Galo desgraça pouca é bobagem, o que está complicando tudo é o estacionamento no Z4, se estivéssemos fazendo uma campanha medíocre, sem chances ao G4, mas sem a ameaça do rebaixamento, seria viável apostar no Luxa pro ano que vem, aí ele poderia enfim entrosar o time. Do jeito que está, caminhamos para o descenço e por conseguinte para a debandada dos jogadores, que não vão querer atuar como coadjuvantes, se bem que nenhum deles está desempenhando um bom papel. Quanto ao Dorival, acho que já está com os pés no Morumbi. Alguém tem notícis do Levir? Ah, e será que o Kalil já calculou quanto recebe a menos um time que vai pra segundona?

Daniel Martins disse...

Eliana, pergunta crucial a sua:
"Ah, e será que o Kalil já calculou quanto recebe a menos um time que vai pra segundona?"

O Kalil quer tranformar o Galo num time grande e independente. Contrata ótimos(em tese) jogadores, técnicos, fisioterapeutas... beleza, ótimo, tem que ser assim.
Mas utilizando a pergunta da Eliana, como manter a filosofia do Kalil com o time na segundona?
Se cairmos, por causa desse ano(o penúltimo de Kalil), ele falhará em restaurar ao Galo seu posto dentre os grandes.

Jason Urias disse...

Eliana, o Levir não deve tá querendo saber de cá nada...

Breno disse...

Enquanto isso o dentadura tá rachando de rir dessa situação, óbvio com a mão tampando a boca.

Resumindo, só uma reviravolta para nos tirar e colocar o avaí na zona, no mais terminaremos uma posição acima do grupo da degola, embora acredito eu que vamos ser degolados.