sexta-feira, 17 de julho de 2009

Galo no Divã: Atlético MG 2 x 0 São Paulo

No domingo os mestres. Na quarta, os estudiantes...)
(Umas marias ali, uns bambis aqui...)

Cinquenta e quatro mil pagantes. Aplaudi, festejei. E não podia faltar um chiste: Será que é por isto que não temos frequentado grandes finais? Em uma disputa de título, faltaria estádio, ruas, cidade, planeta para o atleticano que povoa os quatro cantos do mundo. E desta vez, o fez com louvor, sem se preocupar em cometer infâmias, mas apenas em torcer e apoiar. Ainda não sei porque não me planejei para estar lá, mas tudo bem. Infelizmente, Só 'vi' pelo rádio. E antes que a caixa de som estivesse ligada, O Caixa já tinha enchido o peito para o primeiro grito de gol! Euforia nas arquibancadas, competência no gramado, resultado na tabela.

"Não disse que dá pra jogar bem nesse esquema??" (Minha 'Leitura cerebral' do Roth)

Como não vi, resumo o que ouvi:

Setor defensivo: Bastante seguro, contando com um surpreendente entrosamento entre três zagueiros. Boa cobertura dos volantes que, junto com a zaga, fizeram do Aranha um mero expectador.

Meio Campo: Com o tradicional apoio de Carlos Alberto nas subidas e na defesa, somado a outra boa atuação - e dessa vez com mais cruzamentos - do Feltri e um 'presente' da exibição de Serginho, tivemos um time ofensivo.

Ataque: Tardelli e Éder pareceram dispostos, ligados, mas um pouco desencontrados entre si. Não prejudicou mas poderiamos ter 'lavado a égua'. Ponto baixo para o Júnior que quase nem ouvi o nome.

Concordo com o Roth: E já disse em tempos distantes aqui no blog que minha estratégia no videogame para surpreender o adversário é, em momentos pontuais, utilizar o 3-5-2. Para isso, precisamos de laterais que consigam 'ir e voltar' e volantes como o serginho. Se o Márcio Araújo tivesse ali, em vez do Carlos Alberto, poderia ter sido ainda melhor. Mas também concordo com alguns de vocês, que este esquema não é pra qualquer equipe e na história do Galo, temos mais contras do que prós nesta organização.

Serginho: Um capítulo à parte. Acho que NÃO pode ser titular. Até agosto, quando fecham as portas do mercado internacional... hehehe! Jason e Eu já conversávamos no ano passado sobre o 'bão' futebol do rapaz e aguardávamos todos seu retorno. E o cara não só não decepcionou como tem enchido os olhos. Mas antes que encha os bolsos, é melhor que fique por aqui nos ajudando. Temo que seu bom futebol e a incompetência administrativa deixem que ele bata as asas cedo demais.

Pós Jogo: Impressionante lucidez de Welton Felipe ao compreender que há ainda muitas falhas. e mostrar sinceridade no 'discurso da humildade'. Seria um eco do que pensa o Roth, quando, discordando de um repórter baba-ovo, disse que ainda os passes não estão bons e é grande fonte de erros no time...?


Motivos de sobra pra comemorar, torcer, extravasar. Só não dá pra ficarmos 'mascarados'

Pois bem. Fim do êxtase. Em seu lugar, não mais a pura desconfiança, mas um pouco de releitura da realidade. Não temos grandes jogadores, grandes opções e variações necessárias para um grande time. Mas hoje somos - novamente - time grande. Que ontem quis jogar e jogou como tal.

Que, encarnado na imagem e discurso do Roth, o ideal do clube seja a mola de desejo a impulsionar o grupo àqueles que são seus objetivos. (Ver. Freud - Psicologia das massas e análise do eu. hehehe).

4 comentários:

Jason Urias disse...

É impressionante o quanto este texto do velho Sig é atual. Sempre vale a pena dar uma visitadinha.

Gus, o penúltimo parágrafo de seu texto é espetacular. Está muito bem dito, e de forma resumida, mais ou menos que os caras do Futepoca disseram.

(Os links em html na caixa de comentários não estão funcionando, então, segue o link completo. http://www.futepoca.com.br/2009/07/cada-dia-sua-vitoria.html)

Hoje, vendo os lances do jogo (que também só ouvi), fiquei pensando nesta possibilidade. A diretoria não inspira a menor confiança quanto a segurar o Serginho e esperar que ele se valorize - pois ao que tudo indica, que ele ainda tem muito futebol a mostrar.

Me parece, também, que o Roth tem conseguido deixar muito claro para o grupo que ainda é muito cedo para euforia, que os erros existem aos montes - como disse na entrevista - e que pé no chão é essencial para o sucesso.

Não deixar que as limitações do elenco sejam encobertas pela euforia da torcida e da imprensa mineira é o maior trunfo que o técnico tem demonstrado.

Técnico que, confesso, tem me surpreendindo muito, positivamente. Não (somente) pelos resultados e pela posição na tabela, mas pela maturidade profissional com que ele tem lidado com as questões essenciais do time. O trato com a imprensa, a limitação do grupo, a importância dos treinamentos para fixação do(s) esquema(s) tático(s) e seu comprometimento com o trabalho são os principais fatores que tem feito este galo tão distante dos últimos que vimos.

É cedo. Muito cedo para se pensar em título. Mas é bom demais ver o galo 'estar' grande de novo.

Tom disse...

Primoroso este trecho Mr Gus:
"Pois bem. Fim do êxtase. Em seu lugar, não mais a pura desconfiança, mas um pouco de releitura da realidade."
Quanto ao Massem Psicologhie é tb um dos textos ditos políticos do Freud e não somente analítico, tal como é tb "A questão da Análise Leiga".
A lembrança é perfeita, o Galo com todos estes atributos limitados precisa no momento é de psicologia e pai totêmico e menos de política.

Breno disse...

Bom fugindo desse mundo freudiano, pois não me atreveria arguir sobre algo que não tenho conceitos, fico com o que eu vi no Telão no Druida, ou melhor saí de casa e só ouvi os gritos que estão constantes nas ruas da Capital Mineira (Gol de Tardelli aos 3"). Não pensei duas vezes, corri em disparado como quem corre para pegar o busão no ponto de ôns! Realmente o time do galo mostrou um time equilibrado de roubadas de bolas decisivas na defesa, o meio campo corroborou para a festa, mas minha 'bronca' fica para E. Luis que perdeu chances que não se pode perder principalmente contra times que sabem fazer resultados mesmo perdendo. Roth foi feliz no esquema tático, porém requer cautela como aqui sugerido pelo Gus, pois estamos com dois cachorros grandes mordendo nosso calcanhar.
Salve salve massa!!!

Herberth Mendes disse...

Roth sempre foi um profissional trabalhador e sério. Evoluiu muito nos últimos anos e sabe por experiência (vice com o Grêmio) como o caminho é longo e perigoso no brasileirão. Precisamos nos reforçar e continuar trabalhando pesado para não repetir alguns líderes de ocasião como ocorreu nos últimos anos com Bota, Fla, Paraná, Palmeiras e outros mais. E realmente é muito, mas muito cedo mesmo pra qualquer euforia.