terça-feira, 14 de julho de 2009

A inocência perdida, a paciência esgotada, intolerância à vista.

Belo Horizonte ("O nosso Galo") - O Gus disse nos comentários do post do último Galo no Divã, o quanto é bacana ter aqui no FEF blogueiros que estão sempre não só contribuindo com as reflexões que vimos propondo, mas também propondo outros olhares para aquilo que, por motivos diversos, não olhamos.

Este texto enviado pelo Tom para a coluna Associação Livre é uma excelente análise do 'viver' atleticano, fundado na história recente do clube e em suas repercussões no seu (nosso) presente. Um presente!





Faço parte de uma geração de Atleticanos que viu com a ingenuidade do torcedor criança o último suspiro dos anos 60.

Apartir de 71, o Atleticano se nacionalizou de fato, por mais que isto provoque pruridos e estrilos entre os puristas. Em 77 vivemos talvez o nosso mais inesperado sonho e encantamento.

Um time inesperado, com dois jogadores absolutamente mágicos, compondo um conjunto da obra de igual magia e essencialmente formados por jogadores Atleticanos, forjados por olhos, mãos, corações e mentes Atleticanas. O conceito de profissionalismo na época incluía também a paixão e a identidade clubística.

Os anos 80 vieram consolidar a digital Atleticana no imaginário futebolístico mundial. Um clube robusto, um time respeitado e temido. O Atleticano ia a campo mobilizado pelo prazer. Exatamente igual ao melhor dos prazeres que movimenta nossa natureza.

Ao longo deste trajeto, numa época em que inexistia a massificação da mídia e em conseqüência sua salutar desmistificação, os então chamados meios de comunicação foram definindo, de início ingenuamente, e depois de forma
oportunista, um desenho da mente Atleticana.

Com isto foi se modulando uma “parole” identificada com o estereótipo do torcedor incauto. Jogadores comuns e medianos são transformados em “craques”.

Nos anos 90, quando a realidade foi se transformando em “ouro de tolo” a mediocridade continuou sendo vendida pela mesma moeda.

No vácuo deste lastro cada vez mais evanescente vieram as trevas, a mediocrização, a manipulação da ingenuidade da massa e a definição de um único atributo para que o sucesso dentro de campo fosse alcançado: a garra Atleticana. Associado a ela, a torcida passional e única. E só!

Os projetos estruturais foram abandonados como tudo que permitiu a solidificação do CAM na cena futebolística planetária. Assim foi criado um cenário perfeito para discursos demagógicos e administrações enganosas, perdulárias, erráticas, danosas, devastadoras.

O ápice do “sucesso” desta tragédia ocorre com o rebaixamento. Par e passo a tudo isto, alguns segmentos da torcida, mesmo que dispersos se dão conta de que há algo de podre no reino da Galaiada.

Personagem iconográfica deste processo, o ex-presidente Ricardo Guimarães surge repetindo a forma de fracasso “bem sucedido”, uma gestão catastrófica de outro banqueiro tido à época como a salvação do Galo. Seu nome? Eduardo Magalhães Pinto, tido à época como o redentor e que contratou a seleção do interior do estado para fazer frente ao nosso adversário regional que vivia um momento hegemônico. Sua administração ficou célebre pela frase que proferiu diante ao fracasso daquele time que não ganhava.

Perguntava atônito diante de derrotas sucessivas:

-“Afinal o que está faltando?”.

-“Falta entrosamento presidente” – respondiam seus diretores.

-“Então contrate este “Entrosamento!”

Salvou-nos à época o Dr. Fabio Fonseca.

A experiência com os novos banqueiros (Brant e Guimarães) não foram nada românticas como esta. Pelo contrário, foram predatórias, calamitosas, vexatórias e pior, não apareceu nenhum Fabio Fonseca.

Esta nova geração é que será a possibilidade de por abaixo a estrutura institucional paternalista, arcaica e feudal que domina a estrutura do clube, que congela a visão de que torcedor é apenas torcedor e seu lugar é na arquibancada.

Esta também é a visão do atual presidente, mas que dentro deste contexto institucional retrógrado foi a última opção que tivemos para manter alguma esperança de pé.

Acredito em mudanças pontuais que só virão pelas mãos destes “torcedores de arquibancada”, ainda vistos sob a eterna desconfiança e estereotipia aos olhos conservadores dos mandarins do conselho e seus paroquianos, estes de fato, em sua grande maioria os verdadeiros incompetentes e omissos.

Não acredito em revoluções, em transformações abruptas, impositivas e radicais, com as habituais carnificinas de ocasião, para depois restabelecerem antigas ordenações ou produzirem a emergência de déspotas imaculados (sic).

Nunca devemos nos esquecer que por debaixo dos discursos revolucionários, modernosos, empoladamente neo-liberais encontram-se também as velhas e insidiosas intenções oportunistas.

Neste sentido, exemplos é o que não nos faltam até mesmo também neste país da banana, agora caramelada.

Este é o Galo, mas é mesmo assim o nosso Galo, não há outro caminho...


***

Parabéns pelo texto, Tom, e obrigado por compartilhá-lo conosco!

10 comentários:

Breno disse...

Tom, escondera muito leite, Não é aquele LEITE que por nosso cenário um dia passou... Parabéns pela reconstrução moral do nosso glorioso ainda mais por nós que permeamos pelo cenário atual e não pudemos compartilhar desse âmbito que fora o nosso glorioso. Será que estamos alá a Fenix?

Saudações Alvinegras!

Jason Urias disse...

Opa! Mil desculpas, Tom! Devo ter apagado os parágrafos sem querer, durante a formatação do texto. As ferramentas para isto no blogger são horríveis e editar e formatar poucas linhas aqui se torna uma tarefa extremamente irritante.

Fiquei boa parte da tarde de ontem tentando postar este texto, mas a internet aqui no trabalho estava abaixo da crítica.

É isso. Caga** já desfeita.

Valeu!

Tom disse...

Eu percebi Jason que esta parte poderia ter se perdido na formatação.
A forma como o "textículo" foi ilustrada ficou muito boa com a correspodência dos times etc.
SE HOUVER POSSIBILIDADE DE APAGAR MEU COMENT INICIAL ALERTANDO PARA O PROBLEMA DECTATADO SERIA BOM.
Valeu saudações Galísticas!

Gus Martins disse...

Brilhante texto (que fantasmagoricamente sumiu do post... vai entender essa net, essa rede, esse blog...) Tom!

Pois, entre bons e maus momentos, volto a sentir aquela saudade dos tempos que não vivi, mas dos quais sou fruto. Fruto alvinegro, "orgulhoso, de ferro" (como diria meu conterraneo)!

Como tantas outras, apreciei mais esta contribuição e agradeço novamente!

herberth Mendes disse...

Época boa, dentre outras coisas me fez lembrar da minha primeira camisa do Galo. Daquelas que o número (o 9 do Rei é claro) vinha separado e a mãe costurava depois.

Tom disse...

Hehehehe....acho que não era para ser publicado mesmo não , só deu zica até agora, rs.

Jason Urias disse...

Putz! Que saco! Tá dando biziu e o texto perdeu a formatação novamente! Fiquei meia hora aqui pra arrumar!

Mas desanima não, Tom. Formataremos sempre que necessário. Sua contribuição foi sensacional!

Tom disse...

Agora parece que firmou, que nem o Galo ta se firmando cada vez mais "nas liderâncias...."

Borusso disse...

Caraca[8)]! Mto massa! O Tom percorreu 4 decênios da História Atleticana com singulares latitude, equilíbrio e visão aguçada!!

A piada do "que falta?" é usada em más fases de diversos times, [:D]mas não sabia que foi o banqueiro Magalha qm deu início.

-- Salve Zé das Camisas!

É...as mudanças radicais são perigosas sim. Com prudência se evita manipulações.

Borusso disse...

Putz! Amoleci demais lol. Há 3 anos numa sit. dessas eu estaria teclando ao som de Violent Revolution, do Kreator. Devia ser influência da malta do cybercafé jogadora de Counter-strike.
Mesmo essa obs. feita, sigo de acordo com o Tom em sua exortação sobre ter cuidado.